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sexta-feira, 3 de maio de 2019

TRICOLEUCEMIA



A Tricoleucemia ou Leucemia de Células Pilosas é uma doença linfoproliferativa crônica rara, que ocorre com mais frequência no sexo masculino, apresenta etiologia desconhecida e corresponde de 2-4% das leucemias linfoides. 
Suas células possuem núcleo oval e citoplasma abundante com projeções semelhantes a fios de cabelos, sendo conhecida por “células cabeludas”. 
Caracterizada por malignidade nas células de defesa, mais precisamente, nos linfócitos B que se infiltram na medula óssea. Esses linfócitos passam a se acumular na medula óssea, no baço e em menor quantidade nos linfonodos, impedindo a produção das células sanguíneas normais. 

Referencias: 
JUNIOR, Lacy Cardoso de Brito ; BARBOSA, Suane Reis; FRANCÊS, Larissa Tatiane Martins. Case report of hairy cell leukemia. Scielo, Belém, 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbpml/v47n6/v47n6a05.pdf. Acesso em: 23 abr. 2019 
SANGLE , Nikhil. Lymphoma and plasma cell neoplasms B cell lymphoma subtypes Hairy cell leukemia. [S. l.], 2011. Disponível em: http://www.pathologyoutlines.com/topic/lymphomahcl.html. Acesso em: 23 abr. 2019. 
GALANI, Komal S et al. Clinico-pathological profile of Hairy cell leukemia: Critical insights gained at a tertiary care cancer hospital. [S. l.], 2012. Disponível em: http://www.ijpmonline.org/article.asp?issn=0377-4929;year=2012;volume=55;issue=1;spage=61;epage=65;aulast=Galani. Acesso em: 23 abr. 2019 

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Biomedicina em Foco

Último dia de Painel da Biomedicina, juntamos todos os biomédicos que estão compondo esse projeto em uma única entrevista sobre a biomedicina para retratarmos a posição de cada um sobre questões diversas colocando a biomedicina como foco. Agradecemos a todos por ter aceitado o nosso convite e por compartilhar suas informações no nosso painel.


Jaqueline Góes


Penúltimo dia de Painel da Biomedicina, para encerrarmos as entrevistas sobre atuação profissional, temos Jaqueline Góes com a atuação na área da pesquisa científica.

Esperamos que outros profissionais se sintam representados e que essa entrevista possa ajudar aos estudantes e futuros profissionais na condução e escolhas durante a sua carreira.

Michele Peralta

Assista a entrevista de Michele Peralta, fizemos sobre a atuação profissional, o foco da atuação abordada é a área de análises clínicas em uma empresa de grande porte em um polo comercial (São Paulo). Esperamos que outros profissionais se sintam representados e que essa entrevista possa ajudar aos estudantes e futuros profissionais na condução e escolhas durante a sua carreira.



Laisse Barbosa

Agora é Laisse Barbosa, veja a entrevista que fizemos sobre a atuação profissional, o foco da atuação abordada é a área de análises clínicas e a coordenação de um laboratório clínico.

Esperamos que outros profissionais se sintam representados e que essa entrevista possa ajudar aos estudantes e futuros profissionais na condução e escolhas durante a sua carreira.



Jeff Chandler


Terceiro dia de painel, agora assista a entrevista com Jeff Chandler, fizemos uma entrevista sobre a atuação profissional, o foco da atuação abordada é a área de perfusão/ circulação extracorpórea, especialista em órgãos artificiais e a carreira como empresário.

Esperamos que outros profissionais se sintam representados e que essa entrevista possa ajudar aos estudantes e futuros profissionais na condução e escolhas durante a sua carreira.

Brunno Câmara

Nesse painel, contamos com a entrevista de Brunno Câmara, profissional de destaque na biomedicina, o foco da atuação abordada é a residência multiprofissional e a criação/moderação da página Biomedicina Padrão @biomedicinapadrão.

Esperamos que outros profissionais se sintam representados e que essa entrevista possa ajudar aos estudantes e futuros profissionais na condução e escolhas durante a sua carreira.

Feliz dia do Biomédico!



Janaína Naumann


Hoje no segundo dia do nosso painel, no dia do biomédico, abrimos o painel com Janaína Naumann, fizemos uma entrevista sobre a atuação profissional, o foco da atuação abordada é o fato de presidir um conselho regional e associação com o espaço do sexo feminino.

Esperamos que outros profissionais se sintam representados e que essa entrevista possa ajudar aos estudantes e futuros profissionais na condução e escolhas durante a sua carreira.

Feliz dia do Biomédico!

Thiago Alcântara


Subiu mais um painel! Fizemos uma entrevista sobre a atuação profissional com Thiago Alcântara. O foco da atuação abordada é a responsabilidade pelo setor de hematologia, a sua relação com a área de hematologia e a criação/moderação da página @atlasemhematologia.

Esperanosb que outros profissionais se sintam representados e que essa entrevista possa ajudar aos estudantes e futuros profissionais na condução e escolhas durante a sua carreira.

Feliz dia do Biomédico!


Tayla Silva Santos


Está no ar! Em duas plataformas, IGTV e YouTube. Assista o painel de Tayla Silva Santos, fizemos uma entrevista sobre a atuação profissional, o foco da atuação abordada é a biomedicina estética e a administração da própria clínica.

Esperamos que outros profissionais se sintam representados e que essa entrevista possa ajudar aos estudantes e futuros profissionais na condução e escolhas durante a sua carreira.

Feliz dia do Biomédico!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Anemias

Hemácia ou glóbulo vermelho é uma célula que desempenha um papel primordial nas trocas gasosas, através dos pequenos vasos sanguíneos, a hemoglobina é responsável por possuir essa função de transportar o O2, contudo a redução da sua quantidade sérica é característico de um quadro conhecido como “anemia”, essa doença vem do grego e significa “sem sangue”. Essa diminuição leva a um ineficaz suprimento de oxigênio para os órgãos e tecidos, levando a um quadro de escassez o corpo começa  manifestar sinais clínicos que permeiam desde cefaleia, dispneia e fraqueza, a problemas mais sérios envolvendo o aumento da concentração no pool circulante de bilirrubina fruto de hemólise causando icterícia, hemoglobinúria, gerando complicações em órgãos e sistemas.
O diagnóstico varia de acordo a suspeita médica, sendo necessário a avaliação de hemograma, levando em consideração, principalmente o VCM e HCM, microscopicamente observando características marcantes que podem determinar algumas classificações, no caso da falciforme presença de drepanócitos, exames bioquímicos também podem ser solicitados, dosagem de ferritina, ferro sérico e transferrina para determinar se há carência do íon de Fe, ou folato e vitamina B16 para megaloblásticas, sendo também necessário conhecimento prévio para interpretação dos resultados e determinar se os mesmos condizem com o paciente em questão.

#ALERTASpoiler - Dias 26 e 27 de novembro haverá o ISH sendo abordados temas voltados a hematologia inclusive para entender o mecanismo de fisiopatologia das principais anemias.

NÃO FIQUE DE FORA! Se inscreva e garanta sua vaga.

REFERÊNCIAS: 
ZAMARO, P. J. A. et al. Diagnóstico laboratorial de hemoglobinas semelhantes à HbS. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 38, n. 4, p. 261 – 266, Abril 2002/04.

SANT’ANA, P. G. dos S. et al. Clinical and laboratory profile of patients with sickle cell anemia. Revista de Hematologia e Hemoterapia, v. 39, n. 1, p. 40 – 45, Setembro 2016/09.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN)

A hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é uma doença rara e adquirida das células estaminais hematopoiéticas que ocorre a partir da mutação de um gene e se manifesta por hemólise intravascular, falência da medula óssea e trombose. A tríade anemia hemolítica, pancitopenia e trombose faz da HPN uma síndrome clínica única.
O mecanismo pelo qual ocorre a expansão clonal ainda não é conhecido, mas células T autorreativas parecem estar envolvidas na seleção imune que favorece a sobrevivência do clone com a mutação. Estas mutações resultam no bloqueio precoce da síntese de âncoras de glicosil-fosfaditilinositol (GPI), responsáveis por manter aderidas à membrana plasmática dezenas de proteínas com funções específicas.

Dentre as proteínas ancoradas pela GPI estão os CD5514 e CD5915, que têm o importante papel de controlar a ativação da cascata do complemento. O óxido nítrico (NO) é o maior regulador da fisiologia vascular, e muitas das manifestações clínicas da HPN são facilmente explicadas pela depleção tecidual de NO. Este age na parede vascular para manter tônus e limitar ativação plaquetária. A citometria de fluxo é utilizada para o diagnóstico definitivo.

Referências:
ARRUDA, Martha M. de A. S. Et. al. Hemoglobinúria paroxística noturna: da fisiopatologia ao tratamento. Trabalho realizado na Disciplina de Hematologia e Hemoterapia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, São Paulo, SP. 2010 <visto em http://www.scielo.br/pdf/ramb/v56n2/a22v56n2.pdf > Acesso 07/11/2018.

RODRIGUES, Bernardete Maria Torres. Artigo de revisão bibliográfica Mestrado Integrado em Medicina. Fisiopatologia, diagnóstico e novas terapêuticas da hemoglobinúria paroxística noturna. ICBAS-UP, Porto. Junho de 2011.

Imagem: Trombo hemolítico causado pela HPN, fonte: DicasdeMusculação (2017).

sábado, 10 de novembro de 2018

Célula de Sézary

Sézary caracteriza-se como uma célula monstruosa, maior que os leucócitos polimorfo-nucleares, com núcleo volumoso, irregular, ocupando cerca de 80% da célula. Por volta deste núcleo grande se observa uma pequena orla citoplasmática sem características especiais. Sézary em 1938, pensou tratar-se de um histio-monocito gigante e sugeriu que as células circulantes seriam originadas na pele. As células tumorais da derme invadem a epiderme formando ninhos — os chamados microabcessos de Pautrier. Nas biópsias não é possível a distinção diferencial por este aspecto anatomopatológico pois este é comum a micose fungoide e as síndrome de Sézary, unicamente são menos frequentes as lesões ulcerativas e tumorais na síndrome.

Morfologicamente a célula de Sezary apresenta-se como uma célula grande, com núcleo hipercromático, apresentando sulcos e dobras na estrutura nuclear que lhe conferem o aspecto cerebroide. O aspecto da superfície nuclear como que apresentando circunvoluções é mais realçável por diferença de focagem. A volta deste núcleo grande apresenta-se uma pequena porção citoplasmática de tom levemente basófilo sem características diferenciais. Há uma variante de menores dimensões — a pequena célula de Sézary — em que é difícil notar o aspecto convoluto do núcleo, apresenta-se geralmente uma linfocitose mais acentuada, sugerindo por isso, um mecanismo de feedback compensador. Durante a mitose as células perdem a sua irregularidade nuclear, sugerindo que a célula T neoplásica, sem um bloqueio do ciclo celular, pode não ter irregularidades nucleares.

A Síndrome de Sézary (SS) é um linfoma cutâneo de células T (LCCTs) em sua forma leucêmica, são linfomas não-Hodgkin que comprometem primariamente a pele, podendo acometer também linfonodos, sangue e outros órgãos extranodais. Na clínica, a SS é caracterizada por eritrodermia exfoliativa e pela presença de linfócitos circulantes com núcleos covolutos, conhecidos como células de Sézary. O diagnóstico é confirmado atráves da presença dessas células citadas no sangue periférico, o exame histopatológico associado à imunofenotipagem é essencial para a classificação dos linfomas. Além das características clínicas, a International Society for Cutaneous Lymphomas (ISCL), propõe que mais de um destes critérios estejam presentes para o diagnóstico de SS, sendo estes a contagem absoluta de células de Sézary >1.000/mm³ no sangue periférico; demonstração de anormalidades fenotípicas ou do clone de células T por análise citogenética ou molecular.

Referências:
ARAUJO, C. R.; LEITE, C. A. L.; OLIVEIRA, S. M.; SILVA, F. J.; CORREIA, B. W. C.; SANTOS, B. J. Síndrome de Sézary: um relato de caso com diagnóstico tardio e rápida progressão tumoral. Rev. Med., São Paulo, 95(3):142-5, jul-set, 2016.

FERNANDES, B. L. A. Algumas Considerações sobre a Célula de Sézary. Acta Médica Portuguesa, Lisboa, 4: 179-181, 1983.

Imagem: Cellavision.

III Sessão Aberta - 2018.2

Nossa terceira e última reunião aberta do semestre, convidamos a todos para nossa III Sessão Aberta sobre Associação Hematologia e Bioquímica com o foco na avaliação laboratorial. A entrada é gratuita, para a sessão não é necessário realizar inscrição, basta comparecer na data, horário e local do evento. Pessoas de outra instituição precisam enviar os dados por e-mail (geahunifacs@outlook.com) de nome, RG e CPF para liberação na entrada. 

Será disponibilizado 2 horas de carga horária. 

Contamos com a sua presença!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Vacuolização Citoplasmática


Vacuolização citoplasmática são vacúolos esbranquiçados no citoplasma das células (leucócitos), indicadores de infecção bacteriana. Os vacúolos são causados provavelmente por consequência da autodigestão pelas toxinas bacterianas que podem induzir a ruptura dos lisossomos. É comum a ocorrência em neutrófilos, monócitos ou macrófagos, em sua forma ativa liberando seu conteúdo enzimático. Contudo podem também aparecer em outros leucócitos, como eosinófilos e linfócitos. Além desses, tem-se as células de Mott, que são plasmócitos com vacúolos de imunoglobulina causados principalmente por reações ou também por doenças das células plasmáticas. Ademais, monócitos que contém vacúolos e basofilia intensa podem ser chamados de monócitos com tendências a macrófagos, quando tendem a passar para outros tecidos conjuntivos e alguns órgãos por diapedese e quimiotaxia para combater infecções.


Referências: 
MAIA, Leticia; ALMEIDA, Lívia. Alterações Morfológicas em Leucócitos. 1. Informe Científico. Especialisações na área de Patologia Clínica e Veterinária. 

SILVEIRA, Cristina; MELO, Marcio Antonio. Inclusões leucócitarias. Disponível em: <http://www.atlasdosangueperiferico.com.br/leococitarias.php>. Acesso em: 11 out. 2018.

NAUM, Paulo Cesar. Atlas Virtual de Leucócitos. Alterações Leucocitárias e suas Relações com Patologias. 20. Slide. Academia de Ciência e Tecnologia São José do Rio preto, Prof.Dr., 2013.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Hemoglobina Glicada

Hemoglobina (Hb) é uma proteína presente em nossas hemácias (glóbulos vermelhos). A função da hemoglobina é transportar oxigênio no sistema circulatório. O termo “Hemoglobina Glicada” ou A1C se refere a um conjunto de substâncias formadas a partir de reações entre a Hemoglobina A (HbA) e alguns açúcares. Dessa forma, o exame de hemoglobina glicada consegue mostrar uma média das concentrações de hemoglobina em nosso sangue durante aproximadamente 90 dias - não podemos dizer que são durante todos os 90 dias porque a hemácia pode não ter ficado viva durante todo esse tempo. O termo “hemoglobina glicosilada” tem sido erroneamente utilizado como sinônimo de A1C. O processo de “glicação” de proteínas envolve uma ligação não enzimática e permanente com açúcares redutores como a glicose, ao contrário do processo de “glicosilação”, que envolve uma ligação enzimática e instável. Os componentes glicados da hemoglobina são reconhecidos porque alguns deles apresentam diferenças de carga elétrica (menos cargas positivas em pH neutro) e migram mais rapidamente que a HbA não glicada em um campo elétrico.
A mais importante dessas hemoglobinas, no que concerne ao Diabetes, é a fração A1C (HbA1c), na qual há um resíduo de glicose ligado ao terminal NH2 (resíduo de valina) de uma ou de ambas as cadeias beta da HbA. Dependendo do método de análise laboratorial, a A1C corresponde a cerca de 1 a 6% da HbA1 total em pessoas normais, alcançando até 20% ou mais em diabéticos mal-controlados. Na prática, os valores normais de referência vão de 4% a 6%. Níveis de A1C acima de 7% estão associados a um risco progressivamente maior de complicações crônicas. Por isso, o conceito atual de tratamento do Diabetes Mellitus (DM) define a meta de 7% (ou de 6,5%, de acordo com algumas sociedades médicas). A ligação entre a HbA e a glicose é um tipo de glicação não-enzimática, contínua, lenta e irreversível. 

Entretanto, a primeira fase da reação entre a glicose e a hemoglobina é reversível e origina um composto intermediário denominado pré-A1C, HbA1c lábil ou instável, aldimina ou, ainda, base de Schiff. A segunda fase resulta em um composto estável tipo cetoamina, não mais dissociável, agora denominado de HbA1c ou, simplesmente, A1C. A hemácia é livremente permeável à molécula de glicose, sendo que a hemoglobina fica, praticamente, exposta às mesmas concentrações da glicose plasmática. A hemoglobina glicada se acumula dentro das hemácias, apresentando, portanto, uma meia-vida dependente da delas. No indivíduo normal a fração HbA1c representa, aproximadamente, 80% da hemoglobina A1 total. As outras frações da hemoglobina A1 originam-se da ligação de outras moléculas ao aminoácido valina presente na porção N-terminal da cadeia beta da Hemoglobina A: A1a1 (frutose-1,6-difosfato), A1a2 (glicose-6-fosfato) e A1b (ácido pirúvico). Quando o processo de glicação ocorre em outros pontos da cadeia beta ou da cadeia alfa, pode não ser detectado pelos métodos baseados na diferença de carga elétrica, resultando na fração A0.

A frequência recomendada dos testes de A1C é de pelo menos, duas vezes ao ano para todos os pacientes diabéticos e quatro vezes por ano (a cada três meses) para pacientes que se submeterem a alterações do esquema terapêutico ou que não estejam atingindo os objetivos recomendados com o tratamento vigente. Para o Diabetes recente, tem-se cogitado em utilizar A1C como teste de rastreio ou mesmo de diagnóstico para o DM como um possível substituto do teste de glicemia de jejum e do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Entretanto, os estudos têm demonstrado que a limitação dessa proposta não está relacionada com o fato de que valores altos de A1C indiquem a presença de DM, mas sim ao fato de que um resultado “normal” não exclui.
Portanto, torna-se fundamental a detecção das Hemoglobinas Variantes no teste de hemoglobina glicada (HbA1c). Existem dois tipos de interferência que podem ocorrer ao realizar o teste: interferência analítica, que depende do sistema utilizado e a interferência clínica, que depende da amostra analisada. No que diz respeito à interferência clínica, muitas hemoglobinas variantes provocam a diminuição do ciclo de vida da hemácias. Em alguns casos o tempo de vida das hemácias pode diminuir em 25%, como é o caso da Hb S, a variante da hemoglobina mais comum no Brasil. Como as técnicas de HPLC e Turbidimetria não detectam as hemoglobinas variantes, estas informações se perdem, e podem impactar na conduta terapêutica.

A dosagem de A1C em pacientes portadores de hemoglobina variante heterozigótica (exemplos: hemoglobinas  C, S, E, e F), doenças como Anemia Falciforme e Talassemias, podem causar dificuldades na interpretação da HbA1c. Pacientes com história familiar destas doenças, afrodescendentes e asiáticos devem ser cuidadosamente avaliados, pois pode-se obter valores falsamente elevados ou diminuídos, conforme a metodologia aplicada, causando dificuldades na interpretação da HbA1c. Por exemplo, o tempo de vida dos glóbulos vermelhos é mais curto em adultos com Traço Falcêmico, o que pode resultar em menos tempo disponível para a glicação da hemoglobina e menores níveis de HbA1c medidos em relação aos valores de glicose, levando a uma liberação incorreta dos resultados e um falso negativo para Diabetes. Alguns métodos, baseados na cromatografia por troca iônica, podem identificar a presença de alguns tipos de hemoglobinas variantes, permitindo uma análise mais criteriosa do resultado. Já os métodos que utilizam o princípio do imunoensaio não são capazes de detectar a presença das diferentes hemoglobinas variantes. Portanto, a correta interpretação do exame, bem como a identificação dos possíveis fatores interferentes e conhecimento da metodologia aplicada é de fundamental importância para o ótimo controle do diabetes, garantindo que o paciente receba tratamento na medida certa.



Referências:
Grupo Interdisciplinar de Padronização da Hemoglobina Glicada - A1C. Hemoglobina Glicada. Posicionamento Oficial (Versão 2003). A importância da hemoglobina glicada (A1C) para a avaliação do controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus: aspectos clínicos e laboratoriais. Disponível em:<http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/320110603170201.pdf> Acesso em 06 de outubro de 2018.

Sumita N.M., Andriolo A. Importância da hemoglobina glicada no controle do diabetes mellitus e na avaliação de risco das complicações crônicas. Ed. 44. Med Lab. 2008 Pg. 169-174.

Reis FM, Castelo Branco RR, Conceição AM, Trajano LP, Vieira JF, Ferreira PR, et al. Incidência de hemoglobinas variantes em neonatos assistidos por um laboratório de saúde pública. Ed. AO4150. São Paulo. 2018.

Menezes M.D., Couto F.D, et al. Determinação de HbA1c por CLAE: interferência de variantes de hemoglobinas S e C e alta concentração de HbF. J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.48. Rio de Janeiro. 2012.